May 2012
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ode ao meu ódio pelo síndico
podem até me chamar de medrosa (e se não soubessem que eu levei o dono do bar em frente ao meu prédio drogado com ficha corrida pra delegacia de madrugada, contra todas as ameaças dele e dos próprios policiais, eu até perdoaria), mas eu detesto conflito. abomino brigar com as pessoas, levantar a minha voz e falar coisas em que nem acredito só para ganhar uma discussão, sair batendo portas, enfiar...
Son casi las siete de la mañana. He tomado mucho licor café, pero sigo...
– texto que um amigo galego publicou no meu “mural” do tuenti (o “orkut espanhol”) em 22 de maio de 2011.
tudo o que aprendi sobre os 90 anos da minha avó
(publicado originalmente na Revista Bula)
A juventude imprime nas pessoas a arrogância de se acharem capazes de fazer um discurso sobre alguém que já viveu 90 anos. Esse é um exemplo: Entre o dia em que nasceu e a tarde desde domingo especial em família, o sol já se levantou para acordar Zenaide 32.875 vezes. Ela superou em vários anos a longevidade de seus avós, seus pais, seus dez irmãos e seu...
perdão
querido amigo, não sei se te peço perdão por passar tanto tempo te colocando acima do bem e do mal, ou se minha falha foi a de finalmente te ver como ser humano. ambas me incomodam, mas não consigo te tirar do travesseiro ao meu lado e ainda não entendi o motivo. o tempo, aprendi contigo, não precisa ser longo para que seja real, nem precisa ser curto para que seja ignorado. o tempo é só o que...
Seré ese lunar que adorne tu piel, una paloma cerca de donde estés, un golpe de...
April 2012
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não era pra rimar
os planos nunca dão certo, eles só servem pra gente manter um norte. o único plano bem sucedido é a morte. a vida está no improviso que fazemos com o que temos.
você quer saber se me afeta?
Me afeta? Sim.
me afeta? sim
Me afeta? Aham.
Mia feta? A feta.
Me afeta? Sim.
me afeta
era pra ter sido melhor o domingo, a soneca, o uso do plano vivo ilimitado, a minha pose de durona.
Ajuda voluntária com legendas para documentário...
Eu sempre soube que essa tarefa me alcançaria. Demorou cinco anos, mas ontem ela bateu à minha porta (e eu-a-bri).
Senhoras e senhores que traduzem e legendam séries, preciso de vossa ajuda para traduzir e legendar meu documentário. Foi feito como trabalho de conclusão de curso, lá em 2006, e se chama “clandestinas - p aborto no Brasil”. É um filme de 50 minutos que aborda três...
feche os olhos
Não havia a possibilidade de gravar um vídeo para a posteridade ou congelar o momento em uma imagem. Mas a retina é o álbum de fotos da alma, e talvez eu tenha alguma habilidade em extrair as impressões dos meus sentidos e traduzi-las em um texto para compartilhar aqueles minutos de sossego.
Feche os olhos, incline-se para trás na bóia verde e despregue os pés do chão. Pensando melhor, espere...
March 2012
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os 17 de março
mais um 17 de março veio e foi embora. seguimos aqui, eu viva e você vivo na minha memória. perdoe-me se pareço mais melancólica que o normal esse ano. deve ser a dor do siso misturada com a dor da saudade que vai se aumentando conforme passam os anos e acumulam-se as perdas. sigo revivendo nossas brigas pelo controle remoto durante as matérias sobre o corinthians no jornal e te encontrando no...
a história desse cara (versão budapeste)
Em 27 de janeiro de 2006, terminei meu curso de alemão em Berlim e segui para o próximo passo da minha viagem que durou 9 semanas e passou por 8 países. Entre Berlim e Szeged, no sul da Hungria, onde visitaria uma amiga húngara que conheci no Brasil, passei 20 horas em diversos trens na rota Berlim-Viena-Budapeste-Szeged. Das 20h52 do dia 27 até as 16h38 do dia 28. Eu, minha mala, um joelho...
o homem não ama
minha grande amiga mari pires me mostrou a antologia de poesia romântica que ela fez com poetisas brasileiras. enquanto dava uma olhada por cima, achei o poema “o homem não ama”, escrito por uma mulher do piauí que nasceu em 1838 e morreu em 1898. não pude deixar de reconhecer imediatamente meia dúzia de amigos. talvez a diferença entre o homem do século xxi e o do século xix seja o...
cuido eu
das minhas dores do siso inflamado, da cutícula arrancada, da noite mal dormida, do ego espremido, do porre arrependido cuido eu.
February 2012
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lamúrias excruciantes sobre doação de roupas...
desdenho tudo o que tenho e do que não consigo me desfazer.
quantas meninas caberiam melhor nessa blusa estampada que nunca uso porque me aperta?
quantas calçariam majestosamente esse sapato de salto colecionando poeira enquanto espero pelo dia em que terei um mínimo de vontade de andar na ponta dos pés?
quantos livros elas já teriam lido entre a dúzia deles que comprei nos últimos seis meses?
...
January 2012
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blusinha preta
achei que tinha parado de escrever aqui porque estava feliz.
estava é distraída.
feliz não é uma blusinha preta. não combina com qualquer peça.
ni fu ni fa
ni la perra enfermiza en un hueco profundo, ni la monja reglada en una nube del cielo.
roubaram meu olho
alguém roubou meus olhos. na verdade, apenas um, o esquerdo. meu olho, minha olheira e um pedaço do meu nariz estampam o perfil de camila no facebook.
é a foto que estampa o meu perfil. que eu tirei um dia do meu olho, achei bonita e publiquei. sempre estou de olho no meu celular e na carteira, mas jamais pensei que minha foto também estava vulnerável desse jeito.
certamente não aconteceria se...
December 2011
6 posts
a origem da chatice
ando pensando no que tenho pensado e em como tenho agido e cheguei à conclusão de que sou uma chata.
ou talvez eu esteja chata, e minha condição seja curável.
mas a chatice começa a ferver dentro da minha mente como uma chaleira, reconheço que o pensamento é chato de galocha, digo a mim mesma que o melhor é enviá-lo para a lixeira, então vou lá e jogo tudo para o ar pela chaminé.
acho que darei...
Porque vivemos num mundo em que as pessoas não têm tempo para elaborar o que é...
– depoimento de um psiquiatra à eliane brum
mensagem
pensei em enviar essa mensagem por e-mail para as poucas pessoas que me pediram ontem para levar lembranças à família, porque não poderiam fazê-lo pessoalmente. depois pensei em outras pessoas que não me pediram isso, mas que certamente gostariam de ler essa mensagem. e então pensei que deve haver ainda mais pessoas que talvez possam se sentir bem com essa mensagem, mas não tenho como saber porque...
tudo azul, @alerocha
adoramos inventar problemas de mentirinha. olha como estou gorda. que raiva de quem masca chiclete de boca aberta. por que é tão difícil manobrar o carro nessa garagem? odeio quando o garçom traz o copo com gelo e limão, mesmo quando eu claramente pedi só gelo. quero mais dinheiro, mais tempo, mais coisas, eu quero.
inventamos problemas porque somos inseguros e, em grande parte, estamos...
balança
pensar refletir contemplar ponderar medir analisar categorizar versus viver
November 2011
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rotina noturna
jantar cinco minutos de telefonema quinze minutos de observação silenciosa do teto ventilador de teto luzinhas decorativas recortes no mural escovar os dentes deitar sonhar dormir
vou colocando meus muros de concreto, arame farpado, tijolos, cortina, fumaça. e vendo como todos eles desmoronam. um dia desses faremos um piquenique no topo da montanha de detritos.
correios
passarinho, passarinho dedos longos bico afiado voz profunda olhos cerrados ( )falecido ( )mudou-se ( )endereço incompleto
canvas
o prazer de se conhecer de novo desde o começo no começo de uma vida nova em que somos tudo aquilo que gostamos em nós mesmos e jamais aquilo que nos odiamos por ter feito.
October 2011
17 posts
feliz 3x
no dia da minha viagem para a espanha, em novembro de 2008, eu estava triste. também estava ocupada com a bagagem e tudo o que ainda faltava, inclusive fitas do senhor do bonfim, que eu não tinha conseguido comprar.
pedi no twitter endereços de onde se vendiam as benditas e horas depois pedro foi até a casa dos meus pais com um abraço e uma fitinha da cor lilás.
ele a amarrou no meu punho...
seguro anti-fracasso
ultimamente tenho nutrido apenas os sonhos mais modestos:
⇢ ler ininterruptamente durante uma hora por dia ⇢ dormir entre seis e sete horas acumuladas em intervalos de 24 horas ⇢ ver no máximo um filme da mostra (esse aqui)
diário de bordo (dezoito de outubro de dois mil e...
dia um, ou zero, ou vinte e nove vezes trezentos e sessenta e cinco mais quatro meses de lágrimas, sorrisos, orgasmos, brigadeiros de panela e esperar para ver.
dou voltas e mais voltas e ainda não sei como vim parar aqui. aqui com o meu coração na sua mão e a sua mão em outro lugar. não importa aonde eu vá, eu sempre continuo aqui. aqui onde nada é tudo e só os erros contam. tento cortar laços físicos, emocionais e virtuais e ao mesmo tento salvar a minha alma. se alguém já foi capaz de tal proeza, estou curiosa.
pitbull
preferia ter perdido o amor. o amor é fácil de recuperar porque ele nunca se perde de verdade. sempre está vivo na memória. pega carona em uma música, um meme, uma cerveja escura ou na porção de falafel. mas perdi a confiança. foi a minha primeira vez e não sei bem como agir. dizem que essa perda é irrecuperável. então vou pelo instinto. o de instalar um sistema de alerta com sensor de aproximação...
a agonia da insônia
deixa a menina em ruínas