fui flagrada por mim mesma cometendo um erro que há quase uma década jurei solenemente nunca mais repetir. durante 24 horas fiquei ali, de pé em frente ao muro, esperando o que estava do outro lado. atenta a qualquer fresta que me mostrasse outro lado de lá. esperançosa de que me abrissem a porta. temerosa do que perderia se virasse as costas. da primeira e até hoje última vez, dei bobeira e o muro, que não passava de uma mão gigante disfarçada, me cercou. tive que escalar para escapar. jamais olhei para trás. na criminosa reprise isso jamais aconteceria, porque esse muro faz juz ao nome. eu bem que tentei dar pulos na cama elástica, usar um megafone, escrever um bilhete em um aviãozinho de papel. mas muro é muro. rouca e com dores pelo corpo, admito, com 24 horas - ou 50 dias - de atraso, que sim, errei de novo.