meu conhecimento apurado de tecnologia
Aqui na minha família acumulo as funções de filha do meio, regadora de plantas substituta (quando meu pai viaja) e gerente de TI. Ainda não fui demitida de nenhum desses empregos porque 1)só com uma máquina do tempo eu deixaria de ser a do meio, 2)as plantas ainda não se regam sozinhas e 3)ninguém aqui conhece Informática a ponto de perceber que eu sou bastante inútil no tema. Como boa jornalista, me viro acionando meus contatos e depois fingindo que a solução fui eu que dei.
Mas a tecnologia alcança todo mundo. Numa bela noite, meu pai começou a checar o Facebook. Em pleno jantar! Tive eu que dar a bronca surreal (bronca dupla, pois ele ainda não tinha bloqueado o Badoo). Em seguida, minha mãe me chocou ao me informar que havia instalado o Dropbox no computador dela. Ela nem veio me perguntar antes como fazia! Senti que meu reino está sendo ameaçado e, por isso, vou dar uma aula de cursinho sobre APUs, didática o suficiente para que a minha mãe, a sua mãe e até minha priminha de 7 anos possam entender:
Pra quem chegou atrasado ou estava dormindo aí no fundão, aviso que o tema geral dessa aula é HARDWARE. Ou seja, não dá para rodar um CD e instalar um APU no seu computador. Quem perguntar vai levar vaia.
APU, conforme descobri semana passada, quer dizer Accelerated Processing Unit (Unidade de Processamento Acelerado, anota aí porque vai cair na prova). Resumindo em uma frase, se trata de uma maneira nova de aumentar a rapidez e a eficácia do(s) trabalho(s) que você pede pro seu lindo computador fazer. Na prática, ela é a união de duas partes do computador que antes eram apenas vizinhas num prédio, mas agora viraram um belo casal: a CPU (que processa os dados) e a GPU (a boa e velha placa gráfica, que faz com que os dados processados pela CPU apareçam maravilhosos na forma dos vídeos fofos de gatinhos que você assiste no YouTube).
Ah por favor, Joãozinho, em pleno século XXI e você fazendo piadas sobre casais do mesmo sexo? Presta atenção no que importa, meu filho.
É o seguinte: tanto a CPU quanto a GPU podem processar dados, ou nenhuma delas teria a palavra “processamento” no nome. Só que a CPU é quem historicamente fazia todo o trabalho pesado. Ela ficava lá cozinhando, lavando, passando, faxinando, enquanto a GPU sentava no sofá bebendo cerveja e vendo futebol na TV. Mas daí chegou a AMD (a empresa de microprocessadores que fabrica tanto uma quanto a outra) e disse que assim não dava, porque no fim do dia a CPU estava sempre exausta, isso quando não deixava tarefas por fazer.

E assim surgiu a ideia de casar as duas e permitir que a GPU arregaçasse as mangas para ajudar a CPU no trabalho doméstico, quer dizer, no processamento de dados. Ela não é uma ideia recém-nascida, está no mercado desde o ano passado e pelo visto essa nova divisão do trabalho tem feito bastante sucesso, por isso estudem bastante porque com certeza o vestibular vai pedir algo sobre o tema.
Acelerar a GPU para que ela possa auxiliar a CPU é uma ideia que promete uma série de vantagens para o usuário menos paciente. Uma delas é, por exemplo, a velocidade de transferência de dados. Aqui na lousa temos um exemplo de como é possível passar um filme em blu-ray para um iPod três vezes mais rápido nessa nova simbiose:

E se você acha que dar mais trabalho pra GPU folgadona ia reduzir a performance dessa linda, é bom não escrever isso na prova porque vou te dar zero. Diversos programas já estão se adequando à APU e parece que isso vai oferecer opções para otimizar o trabalho de processamento das imagens. Um exemplo é o YouTube: os filmes são tocados pelo Adobe Flash Player, mas você pode escolher deixar esse trabalho para o seu processador e ele não só vai tocar o seu vídeo, mas também vai realçar a qualidade dele dentro do navegador. Aqui vão uns exemplos de parcerias que já saíram do papel:

É isso. Alguém tem dúvida?